Lectio Divina

Ícone Jesus pantocrator

A Lectio Divina é uma forma de leitura orante da bíblia. Tem suas raízes no início da Igreja, sendo organizado como método de leitura no ambiente monástico.

No texto da Transfiguração de Jesus, segundo o evangelista Lucas (Lc 9,28-36), nos é dado algumas indicações sobre a Lectio Divina. Nele Jesus sobe a montanha para rezar e chama Pedro, João e Tiago para subir com ele, nos indicando a primeira grande característica da Lectio Divina que é uma leitura orante da Palavra de Deus. Porque, somente através da oração o Espírito Santo pode nos dar a conhecer sua Palavra de forma que possa transformar nossa vida.


Uma segunda característica que vamos ver no texto da Transfiguração é a voz do Pai no meio da nuvem, que diz: “este é meu filho muito amado: ouvi-O.” Na Lectio divina nós lemos e meditamos a Palavra de Deus para escutar o próprio Jesus falar conosco e assim crescermos na intimidade com ele. Desta forma, torna-se um meio de termos um conhecimento amoroso da pessoa de Jesus, desenvolvendo nossa amizade com ele.

O Movimento da Transfiguração tem, na Lectio Divina, o grande meio para nos aproximarmos de Deus e assim, nos introduzir nos dois outros meios que são próprios do carisma do Movimento: a oração e a liturgia. Assim, a Lectio torna-se uma meio eficaz para nos introduzir no caminho da oração e na participação na liturgia. 
Por fim, a Lectio Divina é o método usado nas reuniões do Movimento de uma forma adaptada a uma experiência em grupo: como poderemos ver nos textos abaixo.

O Movimento da Transfiguração também motiva cada um dos seus membros a fazer a Lectio Divina de forma pessoal e diária, com os textos da Liturgia Diária da Igreja (as leituras que são proclamadas na missa diária).


Como fazer Lectio Divina: 

1) O primeiro passo para uma boa Lectio Divina é a preparação do ambiente.

  • Reservar um momento do dia para fazer a Lectio Divina (no mínimo 20 minutos);
  • Buscar um lugar reservado e, se possível, silencioso;
  • Ter uma bíblia com bons comentários de rodapé;
  • Ter em mãos papel e caneta;
  • Procurar acalmar o corpo e a mente para se concentrar na leitura.

2) Pedir a presença do Espírito Santo, pois a Lectio Divina é a leitura orante da Palavra, e esta foi inspirada pelo Espírito Santo.

  • Cante músicas de invocação ao Espírito Santo;
  • Faça invocações ao Espírito através de orações que você já tenha decorado ou leia, com o coração, orações de invocações ao Espírito Santo;
  • De maneira especial, peça a presença e a ação do Espírito Santo com suas próprias palavras, de forma espontânea.

3) Leia o texto várias vezes para a compreensão de seu sentido literal; “interprete” o texto para descobrir o que ele diz.

  • É muito importante ler os comentários de rodapé referentes ao texto;
  • Se for uma narração (história), perceber a ação de cada personagem;
  • Comparar o texto lido com outros textos bíblicos que você já conheça e que esse texto lhe faça lembrar;
  • Grifar, na própria Bíblia, as passagens que você entendeu serem mais importantes para a compreensão do texto.

4) A meditação do texto, que é o ato de interiorizar o que foi lido, na linguagem bíblica, chama-se meditar no coração. É o momento de perceber o que o texto me diz, o que mais me “tocou”, o que veio ao encontro do meu coração, o que ficou mais forte. São todas formas de traduzir, em algum tipo de linguagem, essa ação interna da Palavra em nós.

  • Escreva o que mais lhe tocou num papel, para melhor fixar;
  • Repita a parte, versículo ou palavra que ficou mais forte, podendo fazê-lo, inclusive, de olhos fechados, assumindo aquela palavra para você;
  • Levar esse trecho para o seu dia, memorizando-o ou escrevendo-o, rememorando-o várias vezes durante o dia, a fim de assimilá-lo melhor. A isso os antigos chamavam “ruminar” a Palavra;
  • E, o mais importante: confrontar a sua vida com esse trecho do texto.

5) A oração é o momento de resposta a Deus, após ter Ele lhe falado através de sua Palavra (ensino, ânimo, correção, questionamento). É importante compreender que a oração é um diálogo que temos com Deus, de forma muito simples.

  • Falar em voz alta aquilo que o seu coração quer expressar;
  • Escrever a sua oração;
  • Criar, através de sua imaginação, alguma imagem de Jesus e falar com Ele;
  • Usar uma imagem ou um ícone para ajudá-lo a ter uma direção, já que a oração é um diálogo.

6) A contemplação, na verdade, cabe a Deus e, portanto, não deve ser nossa preocupação. É a ação Dele em nossa vida. A contemplação pode se manifestar em nós por diversas formas. Algumas não são facilmente percebidas, outras, se revelam através de nossas sensações externas ou internas (corpo, sentimentos, emoções, e, até mesmo, nossa compreensão). Algumas vezes percebemos experiências como paz, alegria profunda ou maior compreensão de Deus ou de nós mesmos.

7) Importantes, na contemplação, são os frutos que ela produz em nossas vidas, principalmente de humildade e de caridade. Estes frutos vão, pouco a pouco, sendo infundidos no coração daqueles que meditam perseverantemente a Palavra de Deus, em espírito de fé.

8) Por fim, devemos nos empenhar diariamente para colocarmos em prática a Palavra de Deus.

Observações:

(1) As sugestões dadas não devem ser aplicadas todas de uma só vez, pois criaria confusão e cansaço.

(2) Devem ser acolhidas as sugestões que mais lhe ajudem e melhor se adaptem à sua vida.

(3) Sugerimos para textos da Lectio Divina aqueles da Liturgia diária da missa. Eles nos apresentam os trechos mais importantes da história da salvação, oferecendo uma visão panorâmica de toda a Palavra de Deus, de forma harmônica.