Ícones

Ícone da Crucificação

O ícone é uma imagem do invisível, e tem seu fundamento na encarnação de Cristo, Aquele que se tornou a “imagem visível do Deus invisível”. Quando o iconógrafo escreve um ícone (o ícone, na compreensão oriental, não é pintado e sim escrito), ele o faz a partir da leitura orante da Palavra de Deus.

A nossa aproximação dos ícones deve ser feita em espírito de fé, pois eles são janelas para a eternidade (uma janela é algo que pertence automaticamente a dois espaços), tornando-se assim um meio capaz de comunicar as riquezas da eternidade para nossa vida terrena. O exemplo da janela, vai nos fazer compreender algumas características dos ícones que para os ocidentais são difíceis de perceber, a saber:

– As características humanas que são expressas nos ícones são voluntariamente diferenciadas (proporções, cores, noções de espaço, fisionomias), para dar uma noção clara que aquele que é representado ali (Jesus, Maria ou algum santo), já vivem em outra realidade. Isso nos faz lembrar as aparições do ressuscitado no Evangelho, onde os discípulos tinham dificuldade de reconhecê-lo.

– A beleza do ícone não esta na estética (como uma obra de arte) para não gerar sentimentos superficiais de piedade, mas necessita de um olhar de fé que nos levam a uma interioridade, pois a contemplação de um ícone é feita com os olhos da alma.

– Os ícones nos exercitam para vivermos com maior profundidade a experiência litúrgica, onde a nossa fé é alimentada através de símbolos (ex: o Círio Pascal é Jesus Ressuscitado; a água é o Espírito Santo, etc). Introduzem-nos assim no mistério de Deus, não através de uma linguagem racional, mas através de uma linguagem simbólica.

– A luminosidade presente nos ícones (Jesus, Maria e os santos emanam sempre uma luz interior), mostra que os personagens retratados já estão na luz da glória, a assim todos já estão Transfigurados.

 

Ícone Cruz Bizantina

Os Ícones no Movimento da Transfiguração 

A nossa aproximação da realidade dos ícones tem antes de tudo uma inspiração ecumênica. Uma forma de colaborar para a comunhão plena entre a Igreja do Ocidente com as Igrejas Orientais, através do conhecimento próprio das riquezas dessas Igrejas.

Os ícones são para os Orientais uma das suas maiores riquezas, algo constitutivo da sua identidade. Por isso, quando nos alimentamos dessa riqueza, estamos criando um ponto em comum efetivo e afetivo com os nossos irmãos Orientais. Usando uma expressão do Papa Bento XVI, estaremos criando “pontes” que serão meios para a nossa comunhão plena, tão querida e desejada por Jesus: “que todos sejam um”.

Outra característica dos ícones para o carisma do Movimento da Transfiguração é a ligação forte que ele tem com a Palavra de Deus, Oração Contemplativa e a Liturgia, tornando-se assim um aspecto que resume os três meios pedagógicos do carisma, em um só lugar.

A nossa relação com os ícones não deve ser uma mera devoção, mas fruto do nosso relacionamento com a Palavra de Deus (para a Igreja Oriental os ícones recebem a mesma veneração que as Sagradas Escrituras, porque as imagens exprimem através das cores e do simbolismo das suas formas o mesmo que a Palavra escrita nos anuncia). Sendo assim, os ícones nos ajudarão a mergulhar de forma mais profunda na Palavra de Deus, e a Sagrada Escritura nos ajudará a mergulharmos mais profundamente nos ícones. Só assim os ícones ocuparão o espaço que é devido dentro do carisma, na sua relação profunda com a Palavra de Deus.

Os ícones, acolhidos nessa relação profunda com a Palavra de Deus, nos introduzirão na oração contemplativa e na Liturgia, numa mistagogia (introdução no mistério de Deus), gerando assim uma autêntica Transfiguração da nossa vida (Divinização).